FINANCEIRIZAÇÃO DE ÁGUA EXPOSTA EM NOVO RELATÓRIO NA VÉSPERA DA REUNIÃO DA OMC: INCLUI CRÍTICAS DE PROPOSTA DA BARRAGEM DE MPHANDA NKUWA EM MOÇAMBIQUE

Amanhã, 3 de Dezembro, as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) deverão começar em Bali. Mais informações sobre essas negociações poderão ser encontradas aqui. Hoje, na véspera dessas conversações, a Friends of the Earth International (FoEI) lançou um novo relatório expondo como as estratégias comerciais e de investimentos, incluindo as negociações da OMC, atuam como motores económicos da financeirização de água. O relatório está disponível online aqui.

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A Justiça Ambiental (JA!, FoE Moçambique) providenciou um caso de estudo, e foi acompanhada por casos da Argentina, Austrália, Colômbia, El Salvador, Inglaterra, México, Palestina, Sri Lanka, Suíça, Estados Unidos e Uruguai.

Os casos mostram os crimes de muitas corporações, instituições financeiras, acordos comerciais e estratégias de cooperação que estão a abrir caminho para a privatização da água e financeirização.

Um caso de estudo chocante neste relatório expõe as principais injustiças de água enfrentadas pelos Palestinianos nos Territórios Palestinos Ocupados (Cisjordânia e Faixa de Gaza). A distribuição desigual de água e as barreiras estruturais à mesma foram também testemunhadas por Daniel, da JA, que se juntou a uma viagem de solidariedade à Cisjordânia no mês passado. A maior parte dos recursos hídricos estão concentrados nas mãos de Israel e isso está a levar a um racismo ambiental estrutural.

O caso de estudo da JA chamado de “Não prejudique a nossa vida” expõe a forma como a proposta barragem de Mphanda Nkuwa irá devastar ainda mais o vale do Zambeze. O belo rio Zambeze, um dos mais importantes rios de África, foi já represado em 2 sítios: a barragem de Kariba no Zimbabwe / Zâmbia e em Cahora Bassa, esta já desde os tempos coloniais. Agora o governo Moçambicano pretende construir uma nova barragem a apenas 70km a jusante de Cahora Bassa. Esta barragem irá devastar ainda mais a ecologia do delta do Zambeze e irá obrigar as comunidades a deixar as suas casas, vilas e meios de subsistência. A JA tem vindo a se opor a esta barragem há mais de 12 anos.

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Sr. Morais e sua família, que será afetada pela barragem proposto. Crédito da foto: Anabela Lemos

Mas esta barragem destrutiva continua a ser planeada. Recentemente foi revelado que há conflitos significativos de interesse e envolvimento nos níveis mais altos: com os presidentes da África do Sul (Zuma) e Moçambique (Guebuza). Um artigo recente do investigador de Oxford e membro da JA, James Morrissey no Mail & Guardian, expõe como o auto-interesse pessoal e o interesse corporativo estão a pesar nas vidas e meios de subsistência no vale do Zambeze.

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Construção de barco tradicional no vale do Zambeze. Crédito da foto: Daniel Ribeiro

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